Arquitetura, Arquitetura e Urbanismo

Inhotim | Brumadinho – MG

10/06/2016 • 6 Comentários

Conhecer Inhotim era desejo da época de faculdade.
O lugar não era muito divulgado, acho que poucas pessoas conhecem ele até hoje, e de alguma forma acabei lendo sobre ele em alguma das revistas de arquitetura que eu lia na época.
Inhotim foi um espaço criado por Bernardo Paz, para abrigar a sua coleção de arte contemporânea. Apenas em 2006 ele foi aberto para visitação do público.

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A melhor referência que eu dizia para as pessoas quando comentava do lugar que queria conhecer era falar “O lugar é uma espécie de museu de arte contemporânea a céu aberto”, mas a verdade é que ele é muito mais que isso! É difícil descrever tudo que Inhotim representa, mesmo porque nunca tinha visto nada igual ou que pudesse comparar. Dito isso, vou tentar listas as principais características do local:
• Arte contemporânea: Em Inhotim, temos exemplares das obras de Tunga, Hélio Oiticica, Yayoi Kusama e muitos outros. Eu não entendo muito de arte, ainda assim adoro visitar museus e locais com essa pegada artística. E o que pude perceber da arte contemporânea (pelo menos a exposta em Inhotim) é que se aproxima de uma arte mais real, uma arte que poderia ser feita ou sentida nas situações mais prosaicas, cotidianas e comuns que qualquer um poderia viver. Ela é mais palpável e próxima das referências que conhecemos e podemos interpretar. O que quero dizer é que, nem sempre ‘realizar’ esta arte, depende unicamente de talento, coisas mais simples podem te qualificar ou capacitar a participar desta arte. O mais curioso, que me chamou atenção é que a alguns dos artistas lá expostos (diferente da maioria dos museus) estão vivos.

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Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, 1977 (Obra póstuma de Hélio Oiticica)

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Jardim de Narciso, 2009, Yayoi Kusama

Muitas obras são incríveis por lá e uma das minhas preferidas é o Beam Drop. Pelo processo de construção dela, não apenas pelo conceito, que consistiu em jogar vigas de aço antigas em uma piscina de concreto fresco, propiciando a movimentação delas até que o concreto estivesse completamente seco e rígido. Então a maneira como as vigas estão dispostas no local foi completamente inesperada e não planejada.

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Beam Drop, 2008, Chris Burden

• Arquitetura: E além da arte incrível, por lá a arquitetura das galerias é pensada para cada artista expor determinada obra. Existe uma preocupação estética e relacional muito grande em volta de todos os espaços expositivos. Os artistas que nomeiam as galerias definem briefings conceituais para que os arquitetos possam desenvolver seus projetos, de maneira que o projeto seja concebido a ‘quatro mãos’, porém nem a arte e muito menos a arquitetura perdem sua expressão. As duas convivem no mesmo espaço dialogando, se complementando e preservando certa individualidade.
O lugar já ganhou espaço na cena internacional e recebeu visitas de arquitetos estrangeiros ilustres, como por exemplo, Steven Holl, Richard Meier e Norman Foster, que inclusive pediu a Bernardo Paz para que pudesse projetar algo em Inhotim. Apesar de receber muitas propostas de arquitetos para desenvolver projetos em Inhotim, alguns até mesmo de graça, a intenção do local é se atrelar a arquitetos próximos, valorizando o conhecimento local, e propiciando alavancar a carreira de escritórios como o Arquitetos Associados e o Rizoma, que assinam a maioria dos projetos de Inhotim.
O mais importante de sabermos sobre Inhotim é que ele está em processo de construção e crescimento, e este estado de mudança que torna tudo mais interessante, porque podemos visitar o local de tempos em tempos e sempre haverá o que ver, locais novos a serem descobertos ou até mesmo redescobrir de novas maneiras os lugares antigos.
O complexo de Inhotim pretende construir uma pousada no local, para atender a demanda por hospedagens dos visitantes.

Sobre a arquitetura, tudo por lá é incrível e roubam a atenção do olhar, porém uma das minhas galerias prediletas foi a da artista Adriana Varejão, que foi projetada pelo arquiteto paulista Rodrigo Cerviño Lopez. Ela possui uma integração espacial, interna e externa, eu diria que perfeita. E ao mesmo tempo consegue ganhar um volume que se destaca, do qual, quem acessa pela cobertura, não espera tamanha beleza. Mas sobre a arquitetura, também não poderia deixar de citar a galeria de Miguel Rio Branco, projetado pelo Arquitetos Associados, e de Lygia Pape, projetado pelo Rizoma, que possuem volumetrias belíssimas e completamente interessantes.

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Galeria Adriana Varejão

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Galeria Miguel Rio Branco

• Paisagismo: Outra paixão de Bernardo Paz era por botânica, principalmente por palmeiras, que tiveram uma grande quantidade de espécies introduzidas em Inhotim. O local possui um diversidade enorme de espécies vivas preservadas, tanto as nativas quanto introduzidas, que em 2010 recebeu o nome oficial de Jardim Botânico. Além de que o paisagismo nas áreas expositivas e nas trilhas que perseguimos, também foram projetados com muito cuidado. Existem áreas de descanso, pelos caminhos, onde são locados alguns bancos esculpidos em toras de troncos enormes e eles são resultado do trabalho do artista Hugo França.

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Bancos de Hugo França cobertos pela árvore Tamboril

O mais lindo de ser ver por lá é a árvore que leva o nome de Tamboril, que possui uma copa enormeeee. Além da linda coleção de patas de elefantes.

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Nós cobertos pela copa da árvore Tamboril

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Eu ao lado de um exemplar de Pata de Elefante

Bom, não é mesmo fascinante?
Inhotim fica na cidade de Brumadinho, a quase 70 km de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. O local apenas não abre as segundas, mas é sempre bom conferir no site, porque eles sempre atualizam a programação. O acesso é pago e possui estacionamento no local. Eles também fazem visitas mediadas, para quem quiser saber mais sobre tudo de lá.

Quando nós fomos, ficamos hospedados em Brumadinho, porém a grande atração da cidade é Inhotim. Concluímos que pela distância, poderíamos ter ficado mesmo em Belo Horizonte, que tem mais infraestrutura para as outras necessidades, além de belíssimos pontos turísticos, que podem completar essa viagem.

Espero que vocês tenham gostado. Obrigada!
Beijos, Amanda!

Fonte:
Revista Monolito – Volume Inhotim – 2015
www.inhotim.org.br

beijos, Amanda
Arquitetura e Urbanismo

O melhor museu da viagem!

10/03/2016 • 2 Comentários

Da mesma maneira que fevereiro chegou, ele também já se foi, muito desta rapidez se deu porque foi meu mês de férias e nós colocamos o pé na estrada sem perda de tempo. Um dos destinos foi Santiago do Chile! Registrei parte desta viagem com algumas fotos lá no instagram!

E finalmente conheci este museu que tem uma arquitetura incrível, que satisfaz muito o meu gosto arquitetônico!

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O melhor sobre esta construção é que eu e ela temos uma história em comum. Eu, ainda quase uma arquiteta nos tempos da faculdade, tive o prazer de visitar uma exposição que estava tendo na Belas Artes (minha facul) na qual o canteiro de obras da construção deste museu foi transmitida em tempo real, durante as 24 horas do dia. Tudo isso porque um dos arquitetos que comandava o escritório que projetou o Museu, era professor por lá! Na ocasião a construção estava na etapa de fundação e tudo que se via, era o trabalho árduo em fazer o projeto acontecer.

Sabe? Poder desbravar o mundo, olhando de perto para tudo aquilo que passei anos estudando e desejando conhecer, não tem preço. Principalmente aquelas arquiteturas com as quais você se identifica, pelas quais você se apaixona, essas são de fazer o coração parar e se manter quieto para podermos apreciar aquele momento!

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Fizemos nossa visita em uma quinta feira ensolarada e seca (como boa parte dos dias de verão no Chile) e chegar até lá foi bem fácil. O metrô te leva para a maioria dos lugares em Santiago, e a estação Quinta Normal, é a mais próxima do museu.

Imagem de Amostra do You Tube

Além da arquitetura, que vocês podem conferir no vídeo, a exposição é ótima (mas infelizmente não conseguimos filmar e fotografar dentro do museu). Tem muito material e informações bem completas a respeito do período da ditadura militar do Chile, com vídeos e relatos de pessoas que vivenciaram este período.

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Acesso do museu, pela edifício base que dá suporte a barra maior, e fica integrada a praça na parte plana.

Com certeza é um lugar que merece a visita. Para poder compreender melhor aquele povo, aquele país, e as lutas necessárias para que dias melhores viessem!

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Outra curiosidade muito bacana é que a tomada do poder no Chile aconteceu em 11 de setembro de 1973. E o museu tem muita similaridade com o museu do 11 de setembro de 2001 de Nova York, principalmente com relação a exposição e a maneira como ela é transmitida ao público.

Enfim, tudo por lá é bastante fascinante. E para quem curte história e arquitetura, não podem perder este passeio!

Obrigada!

Beijos, Amanda!

Autoria do Projeto: Estúdio América [Carlos Dias, Lucas Fehr, Mário Figueroa + Roberto Ibieta]
Fonte (informações e imagens): http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/193/nunca-mas-um-edificio-lamina-se-eleva-sobre-o-espaco-169508-1.aspx

beijos, Amanda